Blog

Setembro 30, 2019

Aldeias indígenas da Grande Porto Alegre exigem audiências para debater a Mina Guaíba

Aldeias indígenas da Grande Porto Alegre exigem audiências para debater a Mina Guaíba

Após ter recebido uma ameaça de morte e duas tentativas de intimidação em menos de sete dias, o cacique Cláudio Acosta, líder da Aldeia Guajayvi, localizada no município de Charqueadas (RS), discute os próximos passos para proteger sua comunidade. Entre os dias 2 ou 4 de outubro, a comunidade deve se reunir com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) para alinhar as medidas que podem ser tomadas.

Aldeias indígenas da Grande Porto Alegre exigem audiências para debater a Mina Guaíba
Equipe da 350.org e Arayara visitou diversas aldeias da região

Além de debater a segurança da comunidade Mbya Guarani, o objetivo da reunião é falar de todos os territórios indígenas da região – visto que os impactos que poderão ser causados com a instalação da Mina Guaíba afetam outras comunidades próximas. 

A importância da realização de Audiências Públicas dentro das nove aldeias da região para a conscientização acerca dos riscos do projeto de mineração de carvão a céu aberto também estará em pauta. De acordo com a coordenadora do programa indígena da 350.org, Andreia Takua, é essencial realizar audiências dentro dos territórios indígenas, conforme a organização de cada aldeia. 

“Isso chama-se consulta e está previsto na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais. Só uma audiência pública geral não é suficiente e não comunica diretamente com as necessidades dos povos indígenas”, explica Takua.

Embora o processo de licenciamento ambiental da Copelmi Mineração, empresa responsável pelo projeto, e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), órgão licenciador do projeto, cite uma “possível aldeia indígena” na região – que seria a Guajayvi, eles desconsideram a cultura indígena que costuma transitar pelos territórios indígenas próximos.

Aldeias indígenas da Grande Porto Alegre exigem audiências para debater a Mina Guaíba
Aldeia Kaa Guy Porã

“Como existem pelo menos nove aldeias Guaranis na região eles, sem dúvidas, estariam afetando diretamente todas essas comunidades. A falta de conhecimento e consulta acaba gerando esses problemas”, afirma Takua.

Já foram protocoladas algumas ações civis públicas no Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), para garantir que todas as comunidades tenham acesso às informações e que todos os órgãos competentes coloquem as aldeias em pauta. “Precisamos lembrar que isto está terminantemente ligado à questão cultural de territorialidade e também ambiental”, complementa a coordenadora do programa indígena. 

Nesta segunda-feira (30), será realizada uma audiência pública, porém o evento não é oficial. “Até o momento foram realizadas duas audiências feitas oficialmente pela Copelmi e pela FEPAM. Tudo o que está sendo discutido em outros momentos, infelizmente, não está sendo incluído no processo de licenciamento – embora possuam peso para ações civis públicas”, finaliza o gestor ambiental e organizador de campanhas da 350.org Brasil, Renan Andrade.