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Março 24, 2016

Água primeiro para as pessoas!

Débora Gastal

Pastor coletando água para beber em uma fonte contaminada, no norte da Tanzânia. Ele está entre os 650 milhões de pessoas sem acesso à água limpa e segura.

Por Landry Ninteretse, 22 de março de 2016

Os recursos hídricos são importantes tanto para a sociedade quanto para os ecossistemas. E o acesso à água potável e aos serviços sanitários adequados é vital para todos os seres humanos. Todos nós dependemos de um abastecimento de água potável limpo e confiável para manter nossa saúde. Precisamos de água para a agricultura, para a produção de energia, para a navegação, para a indústria, etc. No entanto, atualmente, 650 milhões de pessoas (ou seja, o equivalente a 10% da população mundial) não têm acesso a recursos hídricos seguros e estão expostas a doenças infecciosas e à morte prematura.

Pastor coletando água para beber em uma fonte contaminada, no norte da Tanzânia. Ele está entre os 650 milhões de pessoas sem acesso à água limpa e segura.
Pastor coletando água para beber em uma fonte contaminada, no norte da Tanzânia. Ele está entre os 650 milhões de pessoas sem acesso à água limpa e segura.

A pressão sobre os recursos hídricos tem crescido nas últimas décadas devido ao aumento da população e às atividades humanas cada vez mais sofisticadas, que utilizam água em quantidades crescentes. E essa pressão provavelmente seja intensificada como resultado das mudanças climáticas. Muitos países, em especial no continente africano, enfrentam escassez de recursos hídricos e problemas com a qualidade da água. A quantidade de água disponível é limitada, sua qualidade é questionável e a demanda continua a crescer ano após ano, com o aumento da população.

Conforme indicado no último relatório do IPCC, um aquecimento de lagos e rios relacionado ao clima foi observado nas últimas décadas, causando mudanças na composição das espécies, na abundância de organismos e na produtividade dos ecossistemas de água doce. Também devido ao aquecimento, muitos lagos apresentaram estratificação prolongada, com a diminuição da concentração de nutrientes na camada de superfície e esgotamento de oxigênio em camadas mais profundas. As secas se tornaram mais comuns desde os anos 1970, especialmente nos trópicos e subtrópicos, causando redução no nível de lagos no Chade, Zimbábue, Zâmbia e Malawi.

A qualidade da água também está em risco em áreas onde há ocorrência de chuvas acima da média. Por exemplo, países como Quênia, Etiópia e Somália, na região leste da África, têm constatado grandes precipitações devido ao El Niño. Nesses locais houve problemas com a infraestrutura, já que os sistemas de esgoto e de tratamento de água ficaram sobrecarregados. Entre as consequências diretas dessas fortes chuvas estão o escoamento para rios e lagos de detritos animais, lixo e outros poluentes — levando-os às reservas de água potável e tornando-as inutilizáveis, inseguras ou necessitando tratamento.

Ao celebrarmos o Dia da Água hoje (22 de março), temos uma importante oportunidade de pedir às partes que investiram e ainda investem em combustíveis fósseis que impeçam essas “aventuras desastrosas”.  Escolhas como essas pioram uma situação que já é muito complicada para milhões de pessoas. A grande quantidade de água usada pela indústria dos combustíveis fósseis deveria ser direcionada para satisfazer as necessidades básicas dos seres humanos. Hoje, juntos, clamamos: água primeiro para as pessoas!